sábado, 13 de Setembro de 2008

LENDAS DA GARDUNHA

DOM JORGE DA COSTA - CARDEAL ALPEDRINHA


NA HISTÓRIA E NA LENDA

D. Jorge da Costa, Cardeal Alpedrinha

D. Jorge da Costa, conhecido por Cardeal Alpedrinha, nasceu em Alpedrinha, Concelho de Fundão, em 1406, filho de Martim Vaz e de Catarina Gonçalves. Foi Bispo de Évora, Arcebispo de Lisboa e Arcebispo de Braga. Foi designado Cardeal pelo Papa Sisto IV, em 1476. Foi diplomata, conselheiro e confessor do rei D. Afonso V. Devido a questiúnculas com o filho deste Rei, o futuro D. João II, exilou-se em Roma, em 1483, onde faleceu em 1509. Está sepultado num túmulo na Igreja de Santa Maria del Popolo, naquela cidade italiana.

Nos dias 18, 19 e 20 de Setembro, realizam-se, em Alpedrinha e no Fundão, comemorações dos 600 anos do nascimento de D. Jorge da Costa, o Cardeal Alpedrinha, que teve dois irmãos Bispos, Dom Martinho e Dom Jorge. Sobre estes três irmãos, filhos de Alpedrinha, corre a seguinte lenda.


A LENDA DE ALPEDRINHA


D. JORGE DA COSTA, D. MARTINHO E D. JORGE

Conta a tradição popular, em Alpedrinha, que, tendo uma forneira deitado ovos dos quais saíram pintainhos, os rapazes, filhos da forneira, quando a mãe foi para o trabalho, começaram a agarrar um, depois outro e todos os pintainhos, mergulhando-os e afogando-os no caldeiro que servia de bebedouro.

Quando a pobre forneira regressou a casa, nada mais pode fazer do que chorar com lágrimas a sua triste sorte. Deu largas ao seu desgosto, berrou, gesticulou, lamentou-se: “Tanto trabalho, tantos cuidados para…nada!” E não se conteve que não começasse uma praga: “Que Deus vos…”, mas… eram seus filhos e demais sabia ela que praga de mãe cai sempre, “que Deus vos faça… a um Bispo, a outro Arcebispo e a outro Cardeal em Roma.” E em boa hora o disse!...Praga de mãe cai sempre. Por isso as suas palavras foram ouvidas por Deus. O mais velho foi, de facto, Cardeal em Roma (D. Jorge da Costa), o imediato foi Arcebispo de Lisboa (D. Martinho) e o terceiro, Bispo de Évora (D. Jorge) (José Ferreira Rodrigues – Notas Históricas de D. Jorge da Costa, Cardeal de Alpedrinha, Alpedrinha, 2000)

A mesma lenda corre, também, em poesia popular, nas seguintes quadras (Folheto sobre Alpedrinha, Setembro de 2003):



Conta-se em Alpedrinha

A lenda que se diz real,

A mãe rogou uma praga

E saiu certa afinal.


Os três filhos traquinas

Lembram-se da brincadeira,

Afogaram os pintainhos

Dentro de uma caldeira.


A mãe, que era forneira,

Tinha ido às fazendas,

Deixando ficar em casa

Aquelas três prendas.


Quando voltou, fez alarido,

Aos vizinhos deu sinal,

De que aqueles malandrecos

Terem feito tanto mal.


Ainda muito zangada,

Quis rogar uma praga,

Mas a comadre da esquina

Disse "não rogues agora nada".


"Roga quando eu disser".

Ela tinha uma na manga,

Julgava que à mãe irada

Que não lhe passava a zanga.


Tocaram as Avé Marias,

Disse a comadre prazenteira,

Roga-lhes agora a praga,

Julgando sair asneira.


Mas a mãe é sempre mãe

E já recuperado o siso,

Aproveitou a lembrança

E disse num maternal sorriso.


Fez ouvidos de mercador,

Não ouvindo a matrafona,

Pois, dois serão bispos,

O outro cardeal em Roma.


A comadre que era bruxa

Mostrou-se muito zangada,

Se eu soubesse o que era isso,

Eu não te dizia nada.


E a praga aconteceu,

Saindo certa, afinal,

Um bispo, outro arcebispo,

O outro foi cardeal.


A Lenda foi uma praga,

Saiu da boca sem pensar,

Às vezes, as palavras loucas

São verdades a falar.

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